Artigo: Autenticidade x Felicidade

Psicóloga Ana Luíza Garcia fala sobre o dilema de se buscar autenticidade em meio a valores culturais impostos.

*Por Ana Luíza Garcia


Ao observar as pessoas em ambientes diversos e ao atender meus clientes no consultório percebo algo muito comum em qualquer grupo. A dificuldade de se manter autêntico, de perguntar a si mesmo: do que eu gosto? Quais lugares, músicas, livros, comidas roupas, acessórios, toques, desejos físicos, tipo de sexo, me traduzem?

Nossa cultura não nos orienta e não nos ajuda a questionar quem somos e como seria a vida se a gente a levasse respeitando nossa essência. Ao contrário, vem tudo pronto, apenas nos avisam que devemos nos comportar de maneira x, vestirmos de maneira y, sentirmos prazer do jeito z. Vem tudo na caixinha, generalizado. Como se todo mundo conseguisse calçar um sapato 36, como se não existissem pés 34 ou pés 40.

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E como nos salvarmos dessa uniformidade doentia? Questionando, muito e muito. Pessoas deprimidas, desmotivadas, que não conseguem sentir prazer, que tem dificuldade na entrega sexual, perdidas profissionalmente e/ou pessoalmente quando começam a fazer terapia entendem que vivem respeitando todo um modo de vida que não escolheram. Por que não escolheram? Por que receberam pronto e não questionaram.

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Os nossos pais nos ensinam uma maneira de viver com muito amor, querendo que a gente fosse feliz, eles fazem o melhor que podem e às vezes não é o ideal pra gente, então assim que crescemos descobrir isso é responsabilidade nossa. A escola nos coloca em moldes que acreditam ser adequados considerando a sociedade que vivemos. A mídia dita o que é bonito, como você DEVE se comportar pra ser aceito, admirado, seguido. E isto tudo vem rápido e igual, exatamente como um lanche combo sei lá oque em uma lanchonete dessas conhecidas.

Nosso trabalho nisso tudo é sair correndo pra pensar. Se você se sente vazio, triste, desmotivado, sem desejo na cama e fora dela pode ser que esteja vivendo guiado por escolhas que não fez e vontades que não são suas. Pense, repense, se questione. Ouse um pouco mais! Se fortaleça para que sua essência, aquilo que a sua alma e corpo pedem , possa vir à tona e você possa descobrir como quer viver. Como quer se relacionar, com quem quer trabalhar, de que forma quer se vestir, qual é sua orientação sexual, que tipo de sexo você gosta, de que cor será seu cabelo, seus dias.

O mundo está carente dessa coragem, a ousadia de ser quem se é. Não é louco isso? Não deveria ser o básico? É louco sim, porque deveríamos nos respeitar e amar como somos, sabendo que somos únicos e não estamos no mundo cão à toa.

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O recado de hoje é esse. Questione. O primeiro passo para se encontrar é questionar. Saber sobre si mesmo promove o autorrespeito. Respeitar a si mesmo é uma premissa para que todos os outros te respeitem. O universo está cheio de cópias, plágios e repetições enjoativas, vazias, sem originalidade. A melhor forma de se destacar e fazer a diferença em uma sociedade onde todos fazem o mesmo é fazer de outra maneira. E tem fórmula? Não tem fórmula, mas faça tranquilo porque ninguém mais tem a sua maneira de fazer, nem na cama e nem fora dela. Falando em questionar… Porque será que ninguém tem (no mundo inteiro) a impressão digital igual do outro? A natureza é sábia. E viva o ponto de interrogação.

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Ana Luíza Garcia. Foto: Arquivo Pessoal

*Ana Luíza Garcia é psicóloga e sexóloga, apaixonada pelo universo emocional, a mente humana e sua pluralidade. Mais informações pelo e-mail: [email protected]

**Ana Luíza será uma das especialistas de nosso SEGUNDO ENCONTRO OFICIAL A CONFRARIA DAS DIVAS. saiba mais: http://aconfrariadasdivas.com.br/entretenimento/segundo-encontro-oficial-a-confraria-das-divas/

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