Entrevista de emprego: Como responder perguntas pessoais

Sinceridade é a palavra de ordem para candidatos que participam de processos seletivos

Se antes os processos seletivos se restringiam a avaliar apenas as competências profissionais dos participantes, hoje, as entrevistas também têm abordado os aspectos comportamentais dos candidatos. O objetivo é investigar tanto as habilidades de cada um quanto à conduta fora do ambiente organizacional e como isso pode vir a refletir no seu desempenho.

Perguntas como “você já infringiu alguma lei?” ou “você já foi preso por algum motivo?” podem ser consideradas invasivas por grande parte das pessoas, mas, cada vez mais, têm sido feitas pelos recrutadores durante as seleções. “Muitas empresas têm achado que elas são essenciais em um processo porque algumas funções exigem determinados requisitos. E, neste contexto, os recrutadores têm observado atentamente a forma como os candidatos têm reagido e o que isso pode revelar sobre eles”, explica o diretor da Prepara Cursos, Guilherme Maynard.

Ainda de acordo com Maynard, a ideia não é julgar se o candidato fez ou não alguma coisa, mas, analisar a sua postura diante de situações que possam causar desconforto. E o que o candidato deve fazer ao ser questionado por um entrevistador sobre assuntos como estes? “Ele deve responder o mais honestamente possível”, afirma o executivo.

Embora os candidatos não vejam sentido neste tipo de pergunta, elas têm ajudado a identificar, ainda na fase seletiva, quem já agiu de modo antiético em algum trabalho anterior ou mesmo se, por exemplo, seria uma pessoa capaz de infringir regras para, eventualmente, proteger algum colega de trabalho. “A forma como a questão será respondida dirá muita coisa ao entrevistador. Se não foi bem explicada – ou a reação for explosiva – é um sinal que pode indicar que algo está sendo escondido”, assegura Maynard.

Outro ponto destacado por Maynard diz respeito a questões como, por exemplo, “onde você se vê em cinco anos?”, “qual foi sua maior conquista?” ou “qual é sua maior fraqueza?”. Ele explica que, ao fazer questionamentos como esses, os recrutadores querem saber o quanto o candidato está ciente das suas habilidades. “Ele não quer saber necessariamente qual é o ponto fraco dos candidatos e sim qual é a percepção que eles têm sobre si mesmos. Por isso, é aconselhável fugir de respostas consideradas prontas e não contar muitas vantagens sobre as qualidades que possui”, orienta.

Segundo o executivo, todas as pessoas têm o que desenvolver e não há problema nenhum em admitir isso. “Apresentar vulnerabilidade não é defeito algum. O importante é que o entrevistado mostre que tem autoconhecimento e que é capaz de equilibrar os seus pontos fortes e fracos”, diz.

Demonstrar maturidade será primordial para passar com sucesso por avaliações como estas. “Responder com sinceridade só contará pontos a favor. O aspecto técnico é muito importante, mas o lado comportamental também tem o seu peso na hora de determinar se o candidato poderá, ou não, fazer parte do quadro de colaboradores da empresa”, finaliza Guilherme Maynard.

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