O que você prefere: ter razão ou ser feliz?

*Por Rafeek Albertoni

Ter razão é o objetivo perseguido pela maioria das pessoas. Arrisco dizer que até mais que o dinheiro, porque muitos de nós até pode resignar-se à pobreza, mas não nos dar razão é inconcebível, irritante e nos faz infelizes.

Queremos ter razão no trabalho, na discussão com os amigos, com as pessoas com que mais convivemos e amamos e até com quem acabamos de conhecer na fila da padaria.

O motivo em si nem interessa tanto. O que realmente importa é que no final nos deem a razão, afinal, apenas tê-la não é suficiente, ela deve nos ser dada por outra pessoa. Se não reconhecem que a temos parece que não nos serve. E para alcançar esse objetivo, argumentamos uma, duas, três vezes, procurando com todo tipo de recurso fazer com que o interlocutor – nessa hora transformado em adversário – finalmente se renda e, num flash de lucidez, nos conceda a razão e com isso sua submissão como espólio de guerra.

Mas o que significa exatamente ter razão? Por que estamos tão obcecados em possuí-la?

Talvez seja porque quando nos dão razão nos fortalecemos, confirmamos a nossa visão de mundo. Portanto, podemos concluir que quem mais se importa em obtê-la é quem mais precisa de reafirmação externa por não estar muito seguro de si.

Mas, será que vale a pena lutar tanto por algo que nem sabemos se realmente existe? Falo isso porque querer ter razão é acreditar que existe uma verdade absoluta, e que nós (ou quem pensa como nós) somos os únicos que temos a capacidade de aceder a ela. Você acha mesmo que conhece a verdade absoluta?

De acordo com estudos da PNL (Programação Neurolinguística), ninguém está em condições de aceder a realidade objetiva porque cada um capta, percebe ou interpreta a realidade dependendo da sua cultura, crenças e sistemas representacionais. Ou seja, cada pessoa interpreta a realidade dependendo da cor do vidro dos óculos com que se vê. Por isso, há uma realidade para cada um dos mais de sete bilhões de habitantes do planeta.

Cultura, crenças e sistemas representacionais

Como sabemos, a cultura ou o ambiente em que somos educados determinam nossos valores e nossas preferências. Algo que numa determinada cultura seja inconcebível, em outra pode ser tratado como normal e corrente. Cito, por exemplo, o conceito de bigamia ou o sistema de castas que existem em alguns países da cultura Oriental e que são simplesmente inconcebíveis à mente ocidental e vice-versa.

Esse condicionamento cultural influencia diretamente nosso sistema de crenças, que são aqueles conceitos que damos por certo e que nunca colocamos em dúvida por estarem implantados na nossa memória primária e conformam a nossa verdade interna.

Além da cultura e das crenças existe a influência do caráter de cada um, pois sabemos que dois irmãos podem ter a mesma educação, nas mesmas condições, e quando são perguntados sobre sua infância, cada um pode dar uma visão diferente, dependendo de como interpretou. Isso acontece porque cada um de nós tem um sistema representacional diferente, ou seja, alguns são mais auditivos, outros são mais visuais e outros mais cinestésicos. Os auditivos percebem mais a realidade através do que ouvem, os visuais se concentram mais nas imagens e os cinestésicos são mais emocionais. O que significa que não experimentamos, nem percebemos a realidade da mesma forma.

Sem contar também que na hora de experimentar e comunicar o que vivemos podemos generalizar, omitir ou distorcer a informação. Generalizamos porque julgamos uma experiência nova baseados numa experiência passada. Omitimos informação porque o cérebro só está preparado para capturar um certo número de inputs por segundo e o resto é descartado por não ser considerado importante. Distorcemos porque interpretamos baseados nas nossas experiência e fantasias pessoais. Por isso os estudiosos da comunicação dizem que nós nos comunicamos graças a Deus, porque é quase um milagre que às vezes nos entendamos!

Resumindo: se a gente captura, percebe e interpreta a realidade de acordo com nossa cultura, crença e sistema de representação, e que cada um de nós é único e, portanto, diferente, concluímos que temos razão simplesmente porque todo mundo tem, visto desde nossa limitada perspectiva.

Pode não parecer muita coisa, mas essa compreensão pode mudar completamente a nossa maneira de interagir e de nos comunicarmos uns com os outros.

Da próxima vez que um vizinho, um parente, um estranho na TV ou nas redes sociais der uma opinião que remexe suas tripas, lembre-se que ele também tem razão, só temos que olhar sob os olhos de sua cultura, crença e caráter para abaixar a taxa de soberba que circula nas nossas veias.

Ser assertivo é ter a habilidade de expressar nossos pensamentos e opiniões sem ofender aos outros

Outro grande benefício desse entendimento é que, quando uma pessoa está opinando sobre algo que não estamos de modo algum de acordo, antes de começar a discordar, comece reconhecendo que desde o seu ponto de vista ele tem razão. Além de ser verdade, vai ajudar ao outro a sentir empatia com você e diminuir a resistência para contemplar o seu ponto de vista, deixando os dois satisfeitos.

E chega por hoje. Espero que tenha sido útil para você essas dicas e que, de uma vez por todas, me deem a razão!

Leia também