Retrospectiva da moda 2016: das tendências aos acontecimentos

Um ano regido pela moda dos anos 90, por mudança nas semanas de moda e muito mais

Muito da moda que presenciamos hoje se mantém em inspirações e referências das décadas passadas. Assim que entramos na primavera, falamos aqui no site de como 2016 estava sendo um ano guiado pelas tendências dos anos 90 na moda.

Roupas e acessórios
A década se fez presente tanto para os dias de calor, quanto para os de frio, ou até nos dias meio a meio, com combinações como o slip dress com camisa por baixo. As jaquetas bombers de jeans, exatamente o mesmo modelo dos anos 90, marcaram 2016, ainda mais as acompanhadas de diversos patches – os acessórios colantes divertidos também da década de 90. E por falar em acessórios, difícil não citar as chokers, ou gargantilhas, como eram conhecidas antigamente, que proliferaram em pescoços.

Jaqueta bomber com patches

Jaqueta bomber com patches

A modelagem de roupas oversized, principalmente no inverno, também se fez muito presente. Esse modelo trouxe roupas mais largas, longas e extremamente confortáveis e foi aposta em passarelas da SPFW, no desfile de marcas como Animale, Hérmes e até mesmo da Coca Cola Jeans. O midi foi outra modelagem que ganhou espaço, com suas peças que sempre vão para baixo do joelho, geralmente até a canela, nunca chegando aos pés.

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Desfile da Coca Cola Jeans na SPFW. Foto: Vogue Brasil

E já que falamos em pés, como não citar os metalizados, tanto prateados quanto dourados, que da metade do ano para cá ganharam as vitrines? Eles vieram para todos os gostos, em tênis, Oxford, salto alto, mocassim, sapatilhas e plataformas, outra grande tendência, também referência da década de 90. A diferença das plataformas de agora, é que as atualizadas passaram a ser vendidas com um solado diferente, popularizado como “tratorado”. Nos pés ainda tivemos a febre dos tênis brancos, dos sapatos mullet e nos últimos meses das slides.

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Tênis branco, mullet e plataforma. Todos usados com looks midi.

 

Acontecimentos
Mas não é só de tendências que se faz a moda. Assim como outras áreas, ela passa por mudanças e pede adequações de acordo com o momento histórico que vivemos. As acaloradas discussões sobre gênero, por exemplo, podem não ter conseguido ser incluídas nas escolas, mas dentro da moda passou a ser questionada e trouxe mudanças desde a produção de grifes até as de lojas de departamentos, todas aderindo à moda sem gênero, lá em meados de março.

A Louis Vuitton foi uma das grifes que apostaram no sem gênero, usando Jaden Smith como modelo usando saias em sua campanha

Louis Vuitton, uma das grifes que apostaram no sem gênero, com Jaden Smith como modelo usando saias em sua campanha

Outra grande mudança no setor da moda foi o see now, buy now, que trouxe à tona a forma que as marcas apresentam suas coleções nos desfiles: durante o inverno desfilam a coleção de verão que só poderá ser comprada daqui seis meses e vice-versa. O see now, buy now entrou este ano a favor da nova geração de consumidores, exigindo que as peças que se veem nos desfiles estejam disponíveis a venda nas lojas logo após passarem pelas passarelas. Essa forma de consumo foi aderida por algumas marcas durante as semanas de moda de 2016, e muito criticada por outras, que afirmavam uma sobrecarga de trabalho. O fato é que, oficialmente, o SPFW anunciou que seus desfiles de 2017 seguirão esse modelo.

E aproveitando que falamos sobre discussões atuais, gênero e SPFW, difícil não destacar o desfile-manifesto de Ronaldo Fraga, em outubro, que colocou apenas mulheres trans com lingeries bem semelhantes, mudando apenas algumas estampas e lembrando que o Brasil é atualmente o país que mais mata transexuais e travestis no mundo.

Ronaldo Fraga e Emicida SPFW 2016

Ronaldo Fraga emocionado no final de seu desfile com mulheres trans e Emicida com todos seus modelos negros que desfilaram para Laboratório Fantasma

E a estreia da marca de Emicida, a Laboratório Fantasma, também levou representatividade no SPFW. “Fiz com a passarela o que eles fazem com a cadeia e com a favela. Enchi de preto!”, discursou o rapper ao falar sobre seu desfile com 90% de modelos negros. E não foi só o rapper brasileiro que lançou coleções, Kanye West também lançou sua marca Yeezy na NYFW, mas o desfile foi cheio de polêmicas, Começou com um atraso de quase duas horas e em seguida modelos desmaiaram no backstage por conta do calor de cerca de 40 graus e da desidratação. No desfile, duas modelos não conseguiam andar com os sapatos da marca, uma o retirou na hora e outra saiu da passarela com ajuda. Veja no vídeo abaixo:

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