Corrimento: quando preciso me preocupar?

A secreção vaginal considerada normal é constituída pelas mesmas substâncias do soro sanguíneo e, por isso, é translúcida e não apresenta impurezas ou odor, de acordo com a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo. Além da secreção normal, uma vagina saudável tem o pH ácido, com o grau de acidez em torno de 4,5.

Portanto, a presença de secreção vaginal nem sempre é sinal de que a saúde íntima da mulher está comprometida. Pode se tratar apenas de secreções naturais produzidas pelo organismo. Porém, corrimentos causados por microrganismos indicam a presença de infecções vaginais. Mas como identificar se há algo de errado?

remedios-caseiros-para-candidiase-vaginal

As infecções que causam corrimento podem atingir tanto homens quanto mulheres, porém, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 70% dos pacientes diagnosticados são do sexo feminino, sujeitas não apenas aos sintomas, mas ao que essas doenças podem resultar. Os microorganismos responsáveis por essas enfermidades podem facilitar as infecções do útero e das trompas, que, em casos extremos, podem causar esterilidade. Se a mulher estiver grávida, pode haver aumento no risco de abortamento, parto prematuro e infecção após o parto. Por isso, é importante entender a relação entre os tipos de corrimento e as infecções que estão por trás deles:

Candidíase
A candidíase é causada pelos fungo Candida albicans, na maioria das  vezes.  Esse fungo pode existir na vagina em situações normais, sem causar problemas, porque fica em equilíbrio com a flora vaginal.  Entretanto, quando há uma queda nas defesas imunes locais, o fungo prolifera e causa a doença candidíase.

A candidíase provoca um corrimento espesso, esbranquiçado, às vezes com aspecto de “leite talhado” e sem odor. O corrimento causa irritação na vulva, a parte externa da vagina, o que provoca coceira nos genitais.  Além disso, é possível aparecerem escoriações (pequenas rachaduras) na pele da região íntima, que podem evoluir para úlceras. Dessa forma, é necessário estar atenta aos sintomas de coceira, corrimento e alterações na pele dos genitais.

A infecção pode acontecer em mulheres de todas as idades, porém existem alguns fatores de risco que contribuem para a ocorrência, são eles: gravidez, diabetes, presença de outras infecções, ingestão de antibióticos, uso de medicamentos imunossupressores ou doenças que causam imunossupressão, uso frequente de roupas apertadas ou molhadas e o excesso de duchas vaginais.

“Em algumas mulheres a candidíase se torna recorrente, ou seja, os sintomas acontecem quatro ou mais vezes no período de um ano. Isso geralmente  por um desequilíbrio  no sistema imune na vagina, o  que permite que os fungos que aí existem se multipliquem e causem a infecção. Um dos grandes responsáveis pela alteração no sistema imune é o estresse, infelizmente tão comum no dia a dia da mulher” informa a Dra. Iara Moreno de Linhares, professora da Faculdade de Medicina da USP e chefe do Ambulatório do Hospital das Clínicas.

Vaginite por tricomonas
Principal causa do corrimento, a vaginite por tricomonas é causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, transmitido principalmente através das relações sexuais desprotegidas e é considerada uma das principais DSTs curáveis do mundo.

A contaminação gera uma inflamação da vagina e tem como principal sintoma o corrimento amarelo-esverdeado, geralmente abundante, que causa sensação de ardor ou queimação nos genitais, incomodando bastante.  Além disso, pode haver desconforto ou mesmo dor   para urinar e durante as relações sexuais.  A inflamação intensa na vagina pode causar pequenas ulceras, facilitando a infecção pelo HIV e por outras doenças sexualmente transmissíveis.

corrimento

Vaginose bacteriana
É causada pela diminuição dos lactobacilos que existem na vagina (e que tem ação protetora), e pelo aumento de algumas bactérias que normalmente existem na vagina, mas em baixas concentrações. O principal sintoma da vaginose bacteriana, além do corrimento de cor branco-acinzentado, é o odor desagradável, que lembra odor de peixe.

“Durante as relações sexuais o cheiro desagradável fica mais evidente, prejudicando bastante a vida sexual do casal. Isso ocorre porque o sêmen tem pH alcalino e faz com que o odor se libere com mais facilidade.  Ocorre o mesmo com o sangue menstrual”, diz a Dra. Iara Moreno.

Inovação no tratamento
Em pacientes que já foram diagnosticadas com infecções, atualmente existe uma grande quantidade de tratamentos disponíveis. O método escolhido dependerá da avaliação do ginecologista. Um método inovador e prático, que surgiu faz pouco tempo, é o uso de óvulos vaginais (Gynotran®), que possuem uma rápida absorção e dispersão dos compostos por toda a mucosa vaginal, promovendo tratamento eficaz em sete dias.

É importante lembrar que o diagnóstico correto e a prescrição do tratamento adequado devem sempre ser realizados pelo médico. 

 

Leia também