Mestres-cervejeiros esclarecem 5 mitos gerados por boatos na internet

“Puro malte é sinônimo de cerveja boa”, “Cerveja escura é sempre mais forte”, “Cerveja tem que estar sempre trincando”

Em tempos de boatos e notícias falsas divulgadas em todos os meios, nos deparamos com dezenas de informações fantasiosas e incorretas, e nem a amada cerveja escapa dessa onda. Para ajudar os apaixonados pela nossa querida bebida, reunimos um time de mestre-cervejeiros para esclarecer alguns dos principais boatos que circulam por aí. Não caia em pegadinhas de 1° de abril e veja abaixo os esclarecimentos dos responsáveis por alguns dos principais rótulos do país:

 1. Cerveja puro malte é melhor

A lista de ingredientes de cada cerveja depende do estilo e do perfil sensorial que o mestre-cervejeiro quer obter. Um exemplo: algumas das mais renomadas e clássicas cervejas belgas são “turbinadas” com açúcar para atingir um alto grau alcoólico sem ficarem encorpadas demais. Quanto aos cereais não maltados, famosos nas cervejas do tipo pilsen, eles estão de acordo com as receitas previstas para a standard american lager – nome técnico do estilo pilsen. O milho e o arroz, por exemplo, têm a função de reduzir o corpo da cerveja, tornando-as mais leve e mais fáceis de beber. O que determina a “qualidade” de uma cerveja é a escolha dos ingredientes e o cuidado nas etapas de produção – Laura Aguiar, mestre-cervejeira da Cervejaria Ambev

 

2. Quanto mais escura, mais forte é a cerveja

Não se deixe enganar pelos sentidos. Apesar da expectativa de uma bebida mais encorpada e forte, isso nem sempre é verdade. Existem cervejas claras de teor alcoólico mais alto, assim como cervejas escuras leves e refrescantes. A cor da cerveja é determinada principalmente pela cor de seus ingredientes, principalmente o malte. Ao final do processo de malteação do grão de cevada, ele pode sofrer um processo de torra muito similar ao do café, e dependendo da intensidade e da proporção determinadas pelo cervejeiro, poderá produzir uma cerveja mais clara, acobreada ou escura – Alexandre Levy, mestre-cervejeiro da Cervejaria Ambev

3. Cervejarias pequenas são “melhores”

Devido à escala de produção, as grandes cervejarias têm uma série de vantagens: acesso aos melhores ingredientes, melhor distribuição mais tecnologia, investimento em treinamento de funcionários e menor custo final por unidade – o que faz com que o produto seja vendido e reposto rapidamente, resultando em cerveja mais fresca na prateleira    –Leonardo Antonelli, mestre-cervejeiro de Craft Beer da Cervejaria Ambev

 

4. O único motivo para o uso de cereais não maltados é baratear a produção de cerveja

O principal fator de escolha do tipo de cereal que irá fazer parte da receita é a característica final que o mestre-cervejeiro quer dar para a sua cerveja. Se quer uma cerveja mais leve e refrescante, vai usar cereais não maltados, como milho e arroz, ao lado da cevada. Se quer uma mais amarga, vai usar mais lúpulo, e assim por diante. Mas tudo depende sempre da receita: existem cervejas mais rebuscadas e caras que utilizam cereais não maltados em sua composição – Sybilla Geraldi, mestre-cervejeira Bohemia

5. Cerveja deve ser servida sempre muito gelada

Nesse caso a regra não tem nada de clara, já que algumas cervejas trazem aromas e sensações que se perdem quando estupidamente geladas. De forma geral, quanto mais forte e encorpada a cerveja, menos fria ela deva estar. O que não significa que você deva carregar um termômetro para conferir se o bar serve a bebida na temperatura correta. Se bebeu e gostou, está valendo! Por serem leves e delicadas, cervejas do estilo pilsen merecem ser servidas geladas. Mas quantos graus? O brasileiro costuma beber cerveja no limite do congelamento, muito em razão do nosso clima tropical, e não há nada errado nisso. Se você não gosta assim, faça do seu jeito – Leon Maas, mestre-cervejeiro Brahma

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